Quando minhas mãos falaram por mim.
Desenho autoral – expressão de um reencontro com o ensinar
Hoje, durante um curso de formação, algo diferente aconteceu comigo.
Eu estava ali, como tantas outras vezes ao longo da minha trajetória… ouvindo, refletindo, tentando absorver. Mas, de repente, minhas mãos começaram a se mover. Inquietas. Insistentes. Peguei papel e caneta — e desenhei.
Sem planejamento. Sem intenção clara. Apenas senti.
O que surgiu não foi apenas um desenho. Era uma coruja, apoiada sobre livros, rodeada por flores. E, junto dela, uma frase que veio quase como um sussurro:
“Ensinar é deixar uma parte de nós no outro.”
Naquele momento, algo dentro de mim fez sentido.
Percebi que aquele desenho carregava mais do que forma — ele carregava significado.
A coruja, com seu olhar atento, parecia representar a escuta e a sensibilidade que o ensinar exige.
Os livros, o conhecimento construído ao longo dos anos.
As flores, o cuidado, o afeto, a delicadeza que muitas vezes não cabem nos protocolos, mas fazem toda a diferença.
Depois de mais de duas décadas na educação, eu passei por momentos difíceis. Frustrações, desacreditamentos, uma sensação constante de que as mudanças acontecem devagar demais — quase paradas. Em alguns momentos, senti meu brilho diminuir.
E diante disso, existem dois caminhos possíveis: endurecer… ou se reconectar.
Hoje eu entendi que, mesmo sem perceber, eu escolhi me reconectar.
Essa inquietação nas mãos talvez seja mais do que um impulso criativo. Talvez seja minha mente reorganizando sentidos. Meu emocional encontrando uma forma de se expressar. Um movimento de cura.
Porque, no fundo, eu não estava apenas desenhando.
Eu estava ressignificando o ensinar.
E isso me fez perceber algo importante: talvez o meu dom não tenha diminuído. Talvez ele apenas não caiba mais da mesma forma de antes.
Talvez eu precise ensinar de outro jeito. Sentir de outro jeito. Construir de outro jeito.
Hoje, aquela coruja não ficou só no papel.
Ela se transformou em um lembrete.
De que ainda existe sentido.
De que ainda existe caminho.
E, principalmente, de que ainda existe verdade no que eu faço.
E talvez seja isso que realmente importa.
🌿
Profª Jussara Rodrigues
Educação com senti


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