Quando uma música me traduziu para os livros
Tudo começou com um acorde.
Iris.
Uma canção que fala sobre abrir mão da eternidade por um único toque. Sobre o desejo visceral de ser visto, finalmente, em toda a nossa vulnerabilidade.
Ela me devolveu ao filme Cidade dos Anjos. Ali, Seth, o anjo que escolhe sentir, troca o infinito por uma tarde de amor. Ele nos ensina que viver — mesmo sob o risco da dor — vale infinitamente mais do que apenas existir na imperturbável e fria perfeição.
Percebi, então, que essa é a história que sempre me atravessou.
O amor que espera em Diário de uma Paixão não é fantasia; é uma decisão diária, um exercício de persistência. Já em Um Amor para Recordar, o sentimento não é apenas um adorno romântico, mas a própria ferramenta de crescimento através da perda.
Enquanto a espiritualidade acolhedora de Zíbia Gasparetto me mostrou que nossas escolhas ecoam na dimensão da alma, a complexidade de José Saramago me lembrou que sentir não nos isenta de pensar. Pelo contrário: a lucidez exige sensibilidade.
Não comecei pela música por acaso. Comecei pelo que ela despertou.
Primeiro veio o sentimento, cru e sem nome. Depois, as histórias que deram forma a esse caos. Por fim, os autores que me explicaram o que eu já sentia, mas ainda não sabia dizer.
Gosto de romances, mas nem sempre os vivo no asfalto da realidade. Hoje, prefiro o poder da imaginação — essa forma segura de experimentar a intensidade sem se quebrar por inteiro.
Talvez o fio condutor que une todas essas obras seja uma única e inquietante pergunta:
Vale a pena sentir, mesmo sabendo que o fim pode doer?
Seth respondeu que sim.
Noah respondeu que sim.
Jamie respondeu que sim.
E eu, entre o amor, a alma e a linguagem, sigo escolhendo a mesma resposta.
✍🏼 Jussara Fagundes Rodrigues



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