O discurso contemporâneo costuma associar desenvolvimento infantil saudável à presença constante, à convivência intensa e à proximidade emocional permanente. No entanto, tanto a psicanálise quanto a neurociência indicam que o excesso de afeto, quando não sustentado por estrutura e limite, pode ser profundamente desorganizador.
Crianças não se desenvolvem a partir de estímulos emocionais excessivos, mas de previsibilidade, continuidade e segurança relacional. Ambientes marcados por invasão emocional, expectativas projetadas e conflitos encobertos por discursos de amor tendem a gerar estados de hiperalerta no sistema nervoso infantil.
O cérebro da criança não distingue discurso de experiência. Ele responde ao clima emocional real. Quando o ambiente é caótico, ainda que afetivamente justificado, a criança não encontra condições para organizar atenção, linguagem, comportamento e aprendizagem.
Afeto sem estrutura não protege. Organiza apenas a fantasia adulta.
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